sábado, 9 de março de 2013

Igreja: inimiga íntima.

Escrito por Dom Henrique: blog Visão Cristã.

Com a renúncia do Papa Bento XVI e a perspectiva do Conclave que elegerá seu sucessor, a Igreja volta à crista da notícia. E os assuntos de que se tratam são pitorescos: todos ligados a intrigas e escândalos verdadeiros ou cavados, para apimentar o noticiário. São tantas suposições, intrigas, ilações maldosas... Que pensar dessa enésima presepada? Duas coisas, aparentemente contraditórias, paradoxais, mas ambas verdadeiras.
(1) O mundo não quer saber a motivação profunda da vida e da moral católica; já não compreende o que é ser cristão, não consegue distinguir o cristianismo de uma pretensão de ser politicamente correto... Não quer saber nem pode compreender, porque todas as exigências do cristianismo nascem do encontro com Alguém que o mundo jura que está morto, mas que os cristãos sabem que está vivo, ressuscitado; Alguém a Quem amamos, que nos interpela, que é exigente e faz de nós criaturas novas. A moral cristã somente pode ser compreendida plenamente por corações renovados. Diante dessa não compreensão da novidade do Evangelho, diante dessa incapacidade de apreciar e saborear as coisas que nascem do encontro com Cristo no Espírito, o mundo olha o cristianismo como algo meio exótico e anacrônico. Resta-lhe, então, apegar-se a questões pitorescas, escandalosas e polêmicas – presentes na Igreja desde o princípio do cristianismo. E nisso fica. Eis a agenda cristã para o mundão: preservativos, moral sexual, casamento dos padres, união gay, ordenação de mulheres, e por aí vai. Como se essas coisas fossem o essencial. Mas, a questão é outra: é a de ter encontrado o Senhor, de aderir a Cristo com paixão, experimentá-lo de verdade, nele crendo e estando disposto a por ele dar a vida.
(2) Por outro lado, paradoxalmente, o mundo se incomoda com o que a Igreja pensa e fala. Só agora, já são mais de 5000 jornalistas credenciados para acompanhar o Conclave! É que este Ocidente neopagão não pode passar sem a Igreja! Nasceu cristão católico, foi forjado pela Igreja, tornou-se parcialmente protestante, mas seu inconsciente continua cristão! A Igreja é como uma incômoda voz da consciência, que se deseja calar e não se consegue. O Ocidente precisa ainda ouvir a Igreja dizer a verdade, ainda que ele critique e amaldiçoe essa “velha bruxa” católica. Sem a Igreja, o Ocidente decairia de vez! Ele continuará precisando da Igreja, nem que seja para brigar com ela e dizer que a odeia... É como uma senhora ateia que, na eleição de Bento XVI, escrevera a um jornal italiano: “Sou ateia, mas sinto-me feliz pela eleição do novo papa, pois não posso me sentir segura na vida sem saber que, na janela do Vaticano, existe aquele homem vestido de branco, que nos alerta para coisas que gostaríamos de esquecer, mas que, ao fim das contas, nos permite continuar vivendo de modo mais ou menos decente”.
Pense nisso...

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