domingo, 15 de setembro de 2013

Gloriosa História da Igreja.

O Estudo da História da Igreja.

Retirado do blog: http://vozdaigreja.blogspot.com.br
 
A compreensão da autêntica história da Igreja é de fundamental importância para todo cristão, em especial nos tempos atuais, em que temos a impressão de que a crítica infundada à Igreja Católica tornou-se uma espécie de hobby para muitos professores de História, sejam do ensino médio ou universitários. A Igreja Católica é como um boneco em que todos gostam de bater. Metaforicamente falando, qualquer pedaço de pau serve para malhar a Igreja, e esse professor ainda é visto como um sujeito inteligente, crítico, moderno, de pensamento livre, etc.
 
A Igreja é muitas vezes apresentada como uma instituição muito poderosa, uma ditadora que comanda os usos e costumes das nações com mão de ferro, impondo regras aos pobres cidadãos ignorantes, e quem pensa assim invariavelmente gostaria de ver todo o poder nas mãos do Estado. No entendimento dessas pessoas, ao Estado “laico” é que caberia o poder de decisão sobre absolutamente todas as coisas: o Estado é que deveria mandar, por exemplo, na educação dos nossos filhos, ditando a todos o que é moralmente certo e o que é errado, aquilo que cada um de nós deve ou não fazer... E não a religião. Curioso é que essa experiência já foi feita por muitas nações, em diversas ocasiões, e o resultado foi sempre desastroso. A receita mais certa para o desastre de um país é não saber olhar para o passado e aprender com ele.
 
Ocorre que a religião é uma parte intrínseca do ser humano. Hoje sabemos que, no sentido mais puro da palavra, não ter fé é impossível para os seres humanos, e os místicos já o haviam entendido bem antes de a antropologia descobrir que, além de racional, psíquico, social, político e inacabado, o homem é um ser religioso. Se formos fundo na questão, perceberemos que negar as formas religiosas é apenas mais uma forma religiosa. - Uma forma religiosa negativa. - O sobrenatural e o divino estão relacionados ao ser religioso que é o homem; neles o homem busca respostas e soluções para os seus problemas existenciais, e isso sempre foi assim. Escavações arqueológicas não cessam de encontrar vestígios de rituais religiosos praticados nos tempos das cavernas. Por isso é que a religião tem uma dimensão ética fundamental nas sociedades, bem captada pelo historiador inglês Arnold Joseph Toynbee, que disse: “A religião leva a notar que há no mundo a presença de algo espiritual maior do que o próprio ser humano”.
 
Nessa relação homem e Divindade, no que se pode chamar transcendência e imanência, o homem corresponde a esse grande Mistério, que é superior às suas possibilidades e conhecimentos, usando de orações, gestos, cerimônias e rituais para manifestar a sua reverência, gratidão e comprometimento, estabelecendo dessa maneira um contato com o Sagrado.
 
É por isso que nunca, em tempo algum, um governo poderá podar do ser humano aquilo que lhe é intrínseco, que está na sua própria essência e natureza. Mais do que isso, o conceito torto de "laicismo" que temos hoje, se examinado bem “de perto”, revela-se bastante difuso, subjetivo. Ora, todo governo é regido por pessoas, e toda pessoa tem suas próprias ideologias, seu próprio sistema de crenças, acalenta ideais, tem princípios, códigos de moral. O socialismo, por exemplo, é uma ideologia bem definida, quase religiosa, com seus próprios dogmas e até ritos, por assim dizer. O mesmo podemos dizer do capitalismo ou de qualquer outro sistema político-econômico. Então, quando excluímos o fator Deus desse esquema, estamos apenas mudando prioridades.

Um país que proíbe a exposição de crucifixos e Bíblias nos seus tribunais, por exemplo, mas incentiva a ostentação de um retrato do presidente da república, está apenas redefinindo quem é a autoridade última naquele lugar: não se espera mais o auxílio divino, universal e transcendente para se fazer justiça, e sim confia-se na autoridade humana. Não mais manifestamos confiança em Deus, mas sim no Estado. Não mais reverenciamos Deus, mas sim o homem.
 
Além de tudo, nada mais ridículo e ilusório do que ver a Igreja como uma grande ditadora, já que há muito tempo, - infelizmente, - a Igreja não exerce mais poder praticamente nenhum sobre as sociedades humanas. O poder que a Igreja tem é sobre as almas, é inspirar corações, mas se existe uma instituição que foi relegada à irrelevância dentro do quadro de poder que hoje compõe o establishment mundial é a Igreja Católica. A Igreja é, - ainda, - tolerada, exatamente devido à sua relevância junto aos sentimentos da população, mas não junto à classe política e dominante. E é por isso que esses professores tão "moderninhos" e "descolados", que se colocam como inimigos declarados da Igreja, em sua profunda ignorância prestam um enorme desserviço às consciências dos nossos jovens.
 
O estudo da História da Igreja, portanto, requer de nós um esforço especial, diferente. O sujeito a ser investigado é uma realidade impossível de ser compreendida apenas intelectualmente, Não é a mesma coisa que estudar, por exemplo, a História Antiga, a História da Europa, a História da Medicina, etc. O estudo da História da Igreja, para ser frutuoso, exige um certo preparo prévio. Isso porque a Igreja não é apenas um grupo de pessoas, unidas em sociedade, para obter um fim. A Igreja é mais do que isso. Existe um verdadeiro Mistério que é intrínseco à ela, não enquanto instituição, mas ontologicamente falando (ontologia é a ciência do ser, que estuda o ser em geral e sua essência, com suas propriedades transcendentais 1).
 
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Fontes e referência:
 
LENZENWEGER, Josef et. al. História da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2006.
"Continuidade Histórica da Encarnação de Cristo". Aula do curso de História da Igreja do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Jr., disponível em
[http://padrepauloricardo.org/aulas/igreja-continuidade-historica-da-encarnacao-de-cristo]
Acesso 13/9/013.
Artigo "Homem: um ser religioso", do seminarista Sebastião Gustavo Siqueira de Andrade, da Diocese de Santarém, para o curso Filosofia e Ciência da Religião.

1. MICHAELIS Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2009.

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