domingo, 10 de novembro de 2013

Gloriosa História da Igreja - 1

Retirado do site http://vozdaigreja.blogspot.com.br


Nos primeiros anos da era cristã, logo após o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz, a Igreja ensaiava seus primeiros passos, e todo o mundo mediterrâneo era controlado por Roma, que dominava as nações dos continentes europeu, africano e asiático. O Grande Império Romano se estendia da Síria até Portugal, das Ilhas Britânicas até o Egito. O Imperador Otávio Augusto soube concentrar o poder em suas mãos, e o Império vivia um período de paz e prosperidade (a chamada Pax Romana).

A influência dos costumes e do pensamento dos gregos sobre o mundo mediterrâneo estimulava o interesse das pessoas pela filosofia e pela espiritualidade. Um grande fervor religioso atingia todas as camadas da sociedade romana. A crença nos deuses romanos, influenciada pela mitologia grega, tinha muito prestígio; esses deuses tinham muitos devotos, e também existiam muitas outras correntes religiosas surgindo e ganhando força: pregadores anunciavam seus deuses em cada esquina das ruas do Império. Vindos do Egito, através de Alexandria, chegavam as novas devoções à deusa Ísis e ao deus Serápis. Os fenícios adoravam seus baalins. Os orfistas acreditavam na existência de muitos mediadores entre o mundo dos deuses e o dos homens, os pitagóricos acreditavam no Logos... Outros se voltavam para Mitra, o deus-sol ariano, cujo culto se fortalecia com a astrolatria vinda da Caldeia.Havia também o culto sensual da deusa romana Cibele, mãe de Pessinonte.
Fervia uma enorme diversidade de seitas e superstições por toda parte. Além dos muitos deuses sobrenaturais, havia ainda o culto aos soberanos. Trazido do Oriente, esse tipo de adoração a um ser humano como deus floresceu no Império. Quando morria um imperador, logo surgia um culto oficial à sua divindade, e, nas províncias orientais, o imperador era adorado ainda em vida.
Mas no meio dessa confusão de crenças, sempre houve um povo que fazia questão de manter a fidelidade a um só Deus, fugindo de todo o deslumbramento trazido pelas ideias pagãs. No exílio ou na Palestina, o pequeno povo de Israel não havia esquecido a fé dos seus antepassados, a fé no Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus Criador e Uno que os tinha libertado da escravidão no Egito. Esse povo tinha consciência de ser a raça predestinada por Deus para trazer a Salvação ao mundo. Acreditavam que entre este Deus único e seu povo havia uma Aliança, cujo sinal e garantia estava na Torá, isto é, na Lei de Moisés que devia ser observada zelosamente.
 
A Lei era uma coletânea de preceitos éticos e religiosos fixados num conjunto de cinco livros sagrados, o Pentateuco. Ao lado do Pentateuco existiam outros livros históricos, proféticos e poéticos que formavam a coleção das Escrituras Sagradas do judaísmo: esta coleção de livros é o que nós, cristãos, chamamos hoje de Antigo Testamento da Bíblia.
E do judaísmo surgiu um grupo distinto, que se diferenciava dentre os judeus e de todos os demais grupos pagãos, por suas ideias renovadas, fundamentando sua fé mais no Amor divino do que na Lei escrita judaica ou no esoterismo dos pagãos. Eram os seguidores de Jesus, morto e ressuscitado: nesses primeiros tempos chamavam a si mesmos, justamente, de “seguidores do Caminho”. Para eles, o Caminho era o próprio Jesus Cristo, e não mais a letra da Lei.
A primeira geração dos seguidores do Caminho era conduzida por aqueles que andaram e aprenderam diretamente de Jesus, os chamados Apóstolos. Os Apóstolos transmitiram tudo que aprenderam e ouviram de Jesus aos seus sucessores, e assim começou a Tradição Cristã Católica. Cristã por se fundamentar em Cristo, Católica por ser universal, aberta a todos os povos, e não mais centrada no povo judeu, como era antes da vinda de Jesus. Católico quer dizer universal, isto é, o Povo de Deus, agora, era a multidão de pessoas que aceitavam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e não uma determinada raça.

Nos primeiros séculos após a crucificação de Jesus, não havia um cânon das Escrituras, isto é, a nossa Bíblia Cristã de hoje ainda não existia. Só muito depois, lá no final do século III, é que surgiu uma definição das Sagradas Escrituras. Por isso, juntamente com os livros sagrados judaicos, os primeiros cristãos observavam, principalmente, a instrução dos Apóstolos, e já surgia entre eles uma tradição muito rica a respeito de tudo o que Jesus ensinara, da vida dos santos mártires, da mãe de Jesus e da Igreja... Essas histórias e essa sabedoria foram sendo transmitidas de geração para geração, e parte delas ficaram registradas nos Evangelhos e no livro de Atos.

A palavra igreja vem do grego ekklesia, que referia-se a uma assembleia de pessoas, mas para os cristãos a palavra passou a ter um sentido mais especializado. Ekklesia ganhou o sentido de reunião dos crentes para comungar e adorar a Cristo.
 
Quarenta dias depois de sua Ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao Céu (At 1 1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o Espírito Santo, conforme Jesus prometera.

Cerca de 120 seguidores de Jesus aguardavam pela divina promessa. Então, cinquenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecostes, um som como que de um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. E como que línguas de fogo pousaram sobre cada um dos presentes, e todos começaram a falar em línguas que não conheciam, pois o Espírito Santo os capacitava.

Visitantes estrangeiros ficaram surpresos ao ouvir os discípulos falando em suas próprias línguas, pois sabiam que aquelas pessoas não conheciam outros idiomas a não ser o seu próprio. Alguns outros zombaram, dizendo que eles deveriam estar embriagados.

Então, Pedro, líder dos Apóstolos da Igreja primitiva, fez calar a multidão e explicou que estavam dando testemunho da Ação do Espírito Santo, conforme fora predito pelos profetas do Antigo Testamento (At 2 16-21; Jl 2 28-32).

Alguns dos observadores estrangeiros perguntaram então como receber também o Espírito Santo. E Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o Dom do Espírito Santo “ (At 2.38).

E cerca de 3 mil pessoas aderiram à fé em Cristo naquele dia (At 2 41). Durante alguns anos, Jerusalém foi o centro da Igreja. Muitos judeus acreditavam que os seguidores de Jesus eram apenas uma outra seita do judaísmo. Suspeitavam que os cristãos, que então se denominavam "Seguidores do Caminho”, tentavam começar um nova “religião de mistério” em torno de Jesus de Nazaré, o que não era o caso, de modo algum. Tempos depois, porém, surgiram grupos que se por conta própria se autodenominaram cristãos e tentaram deturpar a Mensagem de Jesus Cristo, reduzindo o cristianismo a algum tipo de seita esotérica, misteriosa, com supostas grandes revelações e poderes que só seriam concedidos a certos membros especiais, "iniciados nos mistérios", através de práticas e técnicas mágicas secretas... Lamentavelmente, tais grupos continuam surgindo até hoje, embora contem sempre com pouquíssimos adeptos.

Mas na época dos Apóstolos, a Igreja de Jesus Cristo ainda engatinhava, e alguns dentre os cristãos primitivos continuavam a cultuar no Templo (At 3, 1), enquanto alguns outros insistiam que os convertidos gentios (de outros povos e nações) deveriam ser circuncidados (At 15). Os dirigentes judeus, porém, não custaram muito a perceber que os cristãos eram mais do que apenas uma nova seita dentro do judaísmo: os Seguidores do Caminho, isto é, os cristãos, eram diferentes em tudo, e, nesse sentido, revolucionários.

Jesus havia dito aos judeus que Deus faria uma Nova Aliança com aqueles que lhes fossem fiéis (Mt 16, 18), e que ele havia selado esta Aliança com o seu próprio Sangue (Lc 22, 20). Assim, os cristãos primitivos proclamavam com ousadia que haviam herdado os privilégios que Deus concedera a Israel nos tempos antigos, independente de sua nacionalidade, raça ou cultura. Não eram simplesmente uma parte de Israel: eram eles o Novo Israel, o novo Povo de Deus (Ap 3, 12; 21, 2; Mt 26, 28; Hb 8, 8; 9, 15).

Os líderes judeus, como não poderia deixar de ser, temiam muito esta ideia nova, pois este ensinamento não era judaísmo: isso destituía Israel do seu antigo privilégio de Povo Eleito. Agora, era a Revelação de Deus como um só Pai, para todos os homens.

A Comunidade de Jerusalém

Os primeiros cristãos formavam uma comunidade estreitamente unida em Jerusalém, após o Dia de Pentecostes. Parece que eles esperavam que o Cristo voltasse muito em breve. Repartiam todos os seus bens materiais (At 2.44- 45); muitos vendiam suas propriedades e davam à Igreja o produto da venda, a qual distribuía esses recursos entre o grupo (At 4.34-35).

Os cristãos de Jerusalém ainda iam ao Templo para rezar (At 2.46), mas partilhavam a Eucaristia em seus próprios lares (At 2.42-46). Essa Refeição Sagrada trazia-lhes à mente sua nova Aliança com Deus, a qual Jesus havia feito sacrificando seu próprio Corpo e Sangue.

Deus operava milagres de cura por intermédio desses primeiros cristãos. Enfermos reuniam-se no Templo, de sorte que os Apóstolo pudessem tocá-los em seu caminho para a oração (At 5.12-16). Esses milagres convenceram muitas pessoas de que os cristãos estavam verdadeiramente servindo a Deus.

As autoridades do Templo, num esforço por suprimir o interesse na nova Religião, prenderam os Apóstolos. E Deus enviou um anjo para libertá-los (como vemos em At 5.17-20). Isso, é claro, provocou mais excitação entre o povo. A Igreja crescia rapidamente, e os Apóstolos tiveram que nomear sete homens para auxiliar e distribuir mentimentos às viúvas necessitadas. O dirigente desses homens era Estevão, um “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6.5).

Foi exatamente aí que começou o governo eclesiástico e a organização hierárquica da Igreja: os Apóstolos tiveram que delegar alguns dos seus deveres a outros dirigentes. À medida que o tempo passava, e a Igreja crescia, seus ofícios precisaram ser dispostos numa estrutura cada vez mais complexa, até chegar no ponto em que se encontra hoje.


Os Evangelhos mostram a Igreja como um grande barco, no qual Jesus está presente, embora em alguns momentos nos pareça que está dormindo (Mt 8,23-27). O mar que este barco atravessa é a História, às vezes calmo, outras vezes turbulento, assustador. Há quase dois mil anos o barco saiu do porto. Não sabemos quando chegará ao seu destino, mas temos certeza de que Jesus nunca o abandonará: “Estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20).

A Igreja é um projeto que nasceu do Coração de Deus Pai, e podemos notar que ela já estava destinada a existir desde o início dos tempos: foi preparada na Antiga Aliança (Antigo Testamento) com Israel, e instituída definitivamente por Cristo Jesus. A Igreja é o Reino de Deus presente já neste mundo. Ela se inicia com a pregação de Jesus. Foi dotada pelo próprio Senhor de uma estrutura que permanecerá até o fim dos tempos. Edificada sobre Pedro e os demais Apóstolos (Mt 16, 18), sempre foi e continua sendo dirigida por seus legítimos sucessores.

A Igreja nasce, edifica-se e cresce do Sangue e da Água que saíram do lado aberto do Crucificado. É nela que se conserva a Comunhão Eucarística, o Dom da Salvação oferecido por Cristo pelo nosso bem; para que alcancemos um dia a Vida eterna e plena com Deus.

A Igreja, no seu sentido mais profundo, é santa, sem mancha e sem falha, porque o próprio Deus nela habita, santificando-a com a sua Presença. Os pecados dos fiéis, dos padres e até dos Papas, pessoas ainda imperfeitas, não pertencem à Igreja, não são parte dela. Só em sentido derivado e indireto pode-se falar de “igreja pecadora”. Fica mais fácil entender assim: como todos nós, cristãos católicos, somos a Igreja, e somos pecadores, neste sentido dizemos que a Igreja é “santa e pecadora”. Santa porque somos todos consagrados a nosso Senhor, pelos Sacramentos que ele nos deixou, e comungamos da sua Palavra e também do seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade. Mas a Igreja em sua essência, a Igreja Celeste, imutável e eterna, esta é divina e puramente santa.

A Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, fundada por Cristo sobre o Apóstolo Pedro, que o Senhor constituiu como seu fundamento visível, esta é a Igreja do povo santo de Deus. A Igreja é Santa porque o Deus Santíssimo é seu Autor; Cristo é seu Esposo e a santifica; O Espírito de Santidade a vivifica. Mesmo assim, ela congrega filhos e filhas pecadores(as), que ainda não chegaram à perfeição.

Em Pentecostes, a Igreja se manifestou publicamente, diante da multidão, e começou a anunciar o Evangelho com a pregação católica (universal, para todas as gentes) e apostólica. Nesse inesquecível dia do ano 30, estavam todos reunidos: os Apóstolos, Maria Santíssima, parentes de Jesus, algumas mulheres... Quando um ruído de ventania desceu do céu. Línguas como de fogo surgiram e se dividiram entre os presentes. Todos ficaram repletos do Espírito de Deus e começaram a falar em línguas que não conheciam: línguas de nações estrangeiras.

Esta assembléia inicial é o princípio da pregação da Igreja. Depois do prodígio das línguas, Pedro, líder dos Apóstolos e primeiro Papa da Igreja (conf. Mt 16, 18; Jo 21, 15-17) dirigiu-se à multidão reunida na praça e fez uma memorável pregação.

Muitos se converteram, especialmente judeus vindos da Diáspora (de outras nações). Estes levaram a Boa-Nova aos seus locais de origem, o que provocou o surgimento, bem cedo, de novas comunidades cristãs em Damasco, Antioquia, Alexandria e em Roma. Alguns helenistas, no entanto, permaneceram em Jerusalém.

Para cuidar das suas necessidades materiais, os Apóstolos escolheram sete diáconos. Eram eles Estevão, “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (Atos 6, 5), Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau.

Filipe, um dos sete, evangelizou em Samaria. Foi lá que Simão, o Mago, ofereceu dinheiro aos Apóstolos Pedro e João em troca do Espírito Santo: é daí que vem o termo simonia, que significa trocar as coisas sagradas ou bens espirituais por dinheiro. Filipe também anunciou a Boa Nova a um etíope, que era funcionário da casa real de Candace.

Estevão, porém, era o diácono que mais se destacava. Devido à sua pregação incisiva, ele foi detido pelas autoridades judaicas, julgado e apedrejado até a morte, acusado de blasfêmia. Tornou-se, assim, o primeiro mártir da História da Igreja. Enquanto era cruelmente assassinado, perdoava os seus perseguidores e entregava, confiante, a sua vida nas mãos de Jesus.

O manto de Estevão foi deixado aos pés de um jovem admirador do ideal farisaico chamado Saulo de Tarso.


Saulo (Schaoul), era natural de Tarso da Cilícia, filho da tribo de Benjamim, a mesma do Rei David. Filho de ricos comerciantes, cidadão romano, ligado à seita dos fariseus, aluno do célebre Rabino Gamaliel, zeloso defensor da Torá, a lei judaica.

No ano 35, Saulo tinha cerca de 30 anos. Era um grande inimigo da Igreja primitiva; ele chefiava um grupo até Damasco, autorizado pelos sumos sacerdotes a eliminar um grupo de cristãos que havia por lá, e levar seus chefes algemados até Jerusalém. Depois de oito dias atravessando a estrada que ligava Jerusalém a Damasco, com o coração cheio de fúria, inflamado pelo fanatismo religioso, Saulo estava cansado, mas prosseguia, guiado por seu gênio forte.

Subitamente, uma luz muito forte o envolveu e o fez cair por terra. Enquanto tentava compreender o que estava acontecendo, ouviu uma voz que dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Assustado, perguntou: “Quem és?” E a voz lhe respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”.

A história é bem conhecida. Saulo recebeu instruções diretamente do Senhor Ressuscitado, e percebeu o quanto estivera enganado até então. Saulo, o perseguidor, converteu-se no grande Apóstolo Paulo, pilar da Igreja e arauto do cristianismo. Claro que o seu caso é único, em muitos aspectos: trata-se de alguém que não chegou a conhecer Jesus pessoalmente, que não fazia parte do grupo dos doze Apóstolos de Cristo, mas que se lançou na difícil missão de evangelizar os povos pagãos. Parece ter sido o primeiro a perceber que não era necessário a ninguém passar pelos costumes e tradições do judaísmo para se tornar discípulo de Jesus. Embora o Apóstolo Pedro já tivesse aberto a porta da Igreja para os gentios, isto é, para os não judeus, Paulo merece sem dúvida o título de “Apóstolo das Gentes”.

No ano 44, Paulo estava na cidade de Antioquia, com Barnabé. Foi lá que, pela primeira vez, os discípulos de Jesus receberam o nome de “cristãos”: até então eram chamados “seguidores do Caminho”. Ao longo de um ano, Paulo e Barnabé trabalharam juntos. Na primavera do ano 45, tomaram um barco para a ilha de Chipre e depois seguiram para a Panfília, percorrendo depois a Licaônia. Paulo entrava nas sinagogas, proclamava o Evangelho ao povo, procurando demonstrar que Jesus era o Salvador, o Messias esperado desde os tempos antigos, conforme anunciado pelos Profetas e confirmado nas Escrituras. Ia também até os pagãos, às reuniões dos povos que acreditavam em muitos deuses e deusas, em necromancia e magia, anunciar-lhes a Boa-Nova de Jesus Cristo.

Podemos imaginar o quanto foi difícil para Paulo, como ele encontrou difíceis obstáculos no seu ministério, principalmente a oposição de seus irmãos judeus. Quando voltou a Antioquia, entrou em confronto com os cristãos “judaizantes”, os que queriam impor o rito da circuncisão como exigência para quem quisesse seguir Jesus. Essa controvérsia foi levada até Jerusalém, diante de Pedro, o primeiro Papa da Igreja e comandante dos Apóstolos, embora nessa época ele ainda não fosse chamado “Papa”. Encontraram-se com Tiago e João, que aprovaram o procedimento de Paulo, de não exigir mais a circuncisão para quem quisesse seguir Jesus Cristo. Chegaram à conclusão de que, para uma pessoa se salvar, o que importa não é a circuncisão, e sim a fé em Cristo, que opera pelo Amor, espiritualmente. Este foi o primeiro concílio da Igreja, chamado Concílio de Jerusalém, e ocorreu por volta do ano 49. Foi a partir daí que o cristianismo assumiu seu caminho próprio, independente do judaísmo.


No ano 49, Paulo sai de Antioquia para uma viagem de três anos. Deixa Barnabé e toma Silas como companheiro. Na cidade de Listra, Paulo e Silas encontram Timóteo e seguem atravessando a Frígia e a Galácia, alcançando a Macedônia. Em Filipos são presos. Em Tessalônica, assim como acontecera com o Cristo, eles são acusados pelos judeus de inimigos do imperador, porque diziam que Jesus era Rei.

Em Bereia, a sinagoga escutou atentamente a pregação de Paulo, comparando suas palavras com o que eles estudavam nas Escrituras (Antigo Testamento). Ao entrar em Atenas, Paulo impressionou-se com a grande quantidade de ídolos e monumentos aos deuses. Debateu com os atenienses na Ágora (praça pública da Grécia Antiga, onde aconteciam reuniões para debates políticos, filosóficos, religiosos, etc.), usando da linguagem da filosofia para lhes falar de Jesus. Quando tratou da Cruz e da Ressurreição, no entanto, foi ridicularizado. Crer que um judeu crucificado saiu do túmulo era demais para a sofisticação intelectual dos gregos antigos.

São Paulo Apóstolo é tradicionalmente representado com o Livro e a Espada, que simbolizam a Palavra de Deus e o “Bom Combate” espiritual.[10]

Logo a seguir, Paulo desceu para Corinto, cidade portuária na qual existiam dois escravos para cada homem livre(!). Lá, onde havia muita gente vinda do Oriente, o acolhimento do Evangelho foi maior do que em Atenas. Como fabricante de tendas, Paulo ficou nessa cidade por dezoito meses. Nesse período, enviou duas cartas aos Tessalonicenses. Após uma breve escala em Éfeso, volta para a Síria pelo mar. Em 53, realiza sua terceira viagem missionária, a mais longa. Escolhe Éfeso como base (entre os anos de 54 e 57), de onde envia a epístola (carta) aos Gálatas e a primeira epístola aos Coríntios: em Corinto estavam surgindo divisões que enfraqueciam a comunidade.

Então, um fabricante de estatuetas de Artemis provoca um grande tumulto em Éfeso contra os cristãos, o que obriga Paulo a partir. O Apóstolo segue então para a Macedônia, onde escreve a segunda epístola aos Coríntios. Fica em Corinto novamente e de lá redige a carta aos Romanos, pedindo ajuda para efetuar uma viagem evangelizadora até a Espanha. Antes, porém, era preciso ir a Jerusalém levar a coleta feita no Oriente em favor da Igreja-Mãe. Saindo de Filipos, passa por Trôade e depois chega a Mileto. Aos efésios, que foram encontrar-se com ele, confidencia que não tinha esperança de revê-los.

Em Cesareia tentam detê-lo. No ano de 58, em Pentecostes, encontra-se na Cidade Santa. Quase linchado, é preso. Antes de ser flagelado, apela para sua condição de cidadão romano, e assim consegue que o enviem à Cesareia, onde mora o procurador Félix. Seu processo se arrasta por dois anos. O sucessor de Félix, Festo, cansado de ouvir os apelos de Paulo a César, envia-o para Roma. Quando finalmente chega à capital do Império, passa dois anos em liberdade vigiada, correspondendo-se com as comunidades de Colossas, Éfeso e Filipos. É neste ponto que se encerram as narrativas dos Atos dos Apóstolos.

As cartas que Paulo escreveu às primeiras comunidades da Igreja, hoje, fazem parte da Bíblia Cristã, normalmente denominadas epístolas. As epístolas a Tito e a Timóteo são de outra ocasião em que Paulo esteve preso por amor ao Evangelho, na época da perseguição de Nero.

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